Uma das missões que mais marcou o PB, em termos de novas experiências e aprendizado, foi a Missão Oiapoque, onde fomos recebidos pelo 34º Batalhão de Infantaria de Selva
Como acontece com outras unidades que estão sediadas em áreas de fronteira, o 34 também é designado como “Comando de Fronteira”, em função de suas atribuições, que vão além das tradicionalmente atribuídas a batalhões convencionais.
O 34, chamado Batalhão Veiga Cabral, era
comandado na ocasião pelo Coronel Gelson de Souza, que apresentou o Batalhão ao PB, e também os desafios na área de responsabilidade da unidade.
comandado na ocasião pelo Coronel Gelson de Souza, que apresentou o Batalhão ao PB, e também os desafios na área de responsabilidade da unidade.
Na apresentação, disse-nos o Cel Gelson que a área é muito sensível em termos geopolíticos dizendo-nos que:
- Bertha Becker (2009) afirmou que “a geopolítica assumiu uma nova significação: não serve mais para orientar as conquistas territoriais, mas para influenciar as decisões dos Estados sobre o uso desses territórios”; assim, a gestão territorial da Amazônia passou a ser uma grande batalha de narrativas para persuadir sobre o melhor uso do território, uma batalha que o Brasil tem perdido, em função da atuação de ONGs, indivíduos de projeção e outros Estados;
- O Gen Villas Boas afirmou em 2013 que “a consciência cívica nacional atribui à Amazônia o caráter de um dos mais indiscutíveis símbolos da nossa soberania. Contudo, em pleno século XXI, nosso país não completou a expansão interna, tendo ainda metade do território aguardando ser ocupado e integrado à sociedade nacional. Não logramos consolidar a base física da nacionalidade brasileira”;
- Há problemas de ondem fundiária (posse de terras), desde dificuldades de natureza burocrática até possibilidade de conflitos;
- Há um evidente desequilíbrio em relação às Terras Indígenas” (TI); como exemplo:
- Na TI Tumucumaque vivem 1.700 indígenas em 3 milhões de hectares (ha) - 1.800 para cada indígena;
- Na TI Waiãpi vivem 1.000 indígenas em 607 mil ha (cada indígena com 607 ha);
- Nos Estados Unidos há 17 ha para cada indígena; no Brasil em média, 226 ha.
Estão sob responsabilidade do 34 1.733,4 km de fronteira (Guiana, Suriname e Guiana Francesa) – a área de faixa de fronteira, onde as Forças Armadas tem poder de polícia, é de 260.010 Km2, equivalente ao território do Reino Unido. A fronteira com a Guiana Francesa tem 730 km, - é a maior fronteira francesa.
O 34 tem 971 militares, dos quais 273 em
subunidades de fronteira e 698 na sede. São realizadas operações simultâneas e coordenada com as forças armadas francesas na Guiana, especialmente o 3e Régiment Étranger D'infanterie (Legião Estrangeira).
subunidades de fronteira e 698 na sede. São realizadas operações simultâneas e coordenada com as forças armadas francesas na Guiana, especialmente o 3e Régiment Étranger D'infanterie (Legião Estrangeira).
Essas operações visam combater ilícitos transfronteiriços, principalmente tráfico de drogas e de armas, garimpo ilegal e desmatamento. Nessas operações, material é apreendido (armas, munições e ouro principalmente) ou destruído quando não pode ser transportado (drogas, balsas e equipamento de garimpo, principalmente);
O PB deslocou-se por via terrestre, de Macapá para Clevelândia do Norte, onde está instalada a Cia. Especial de Fronteira, outra subunidade do 34, passando pelas cidades de Amapá, antiga capital do estado e Oiapoque e, cruzando o Rio Oiapoque, chegou a St. Georges, na Guiana Francesa.
Em outro post detalharemos as atividades desenvolvidas pelo PB na região.
Destacamos aqui a figura do Cel. Gelson, que nos acompanhou no deslocamento por via terrestre e, numa demonstração de extrema gentileza recebeu o PB em sua residência para um jantar composto por pratos típicos da região e preparado por sua esposa e por esposas de outros militares.
Dentre os presentes a esse jantar estiveram o Gen Quint, então comandante da 22ª Brigada de
Infantaria de Selva, Brigada Foz do Amazonas, a que se subordina o 34 e o então Maj Gentil, hoje subcomandante do 9º BPE, que acompanhou o PB durante toda a missão.
O Cel Gelson tem uma brilhante carreira militar: além de ter sido o 01 de sua turma na AMAN, estudou no exterior, tendo entre outros cursos feito um mestrado em Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Sorbonne, e o Curso de Altos Estudos de Defesa, Gestão, Comando e Estratégia, da Escola de Guerra da França.
Por dois anos estudou também na Eisenhower School, escola militar americana destinada a preparar civis e militares selecionados para posições de liderança na área de segurança nacional.
Atualmente serve no Estado Maior do Exército, em Brasília.
Finalizando vale lembrar o inspirador brado adotado pelo pessoal da 22 Brigada e do 34: “Selva! Aqui começa o Brasil!”
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Excelente Matéria.
ResponderExcluirFlavio Lisse